[O Corvo]: “Moradores do Areeiro querem criar uma moeda local, tal como já fez Campolide”

Moradores do Areeiro querem criar uma moeda local, tal como já fez Campolide

POR • 22 SETEMBRO, 2016

“Um estímulo à economia local, ajudando assim à criação de emprego e de empresas, mas também uma forma de valorizar os bons comportamentos cívicos. Seriam estas as principais vantagens da criação de uma moeda de utilização exclusiva no Areeiro, proposta, há poucos dias, por um grupo de moradores à sua junta de freguesia. “Num contexto de crise, é uma excelente forma de ajudar ao desenvolvimento da economia local. Trata-se de uma solução perfeitamente legal, pois a lei não faz qualquer referência à sua proibição. Além disso, Portugal já teve experiências do género, no século XIX”, diz ao Corvo Rui Martins, dirigente do recém-criado Movimento Cívico Vizinhos do Areeiro. Depois de Campolide, pode chegar a vez do Areeiro ter a sua própria moeda.

De acordo com a proposta, a moeda poderia ser adquirida nas instalações da junta e nos balcões dos bancos aderente ao projeto que tivessem balcões na freguesia. A “moeda do Areeiro” – cuja designação seria escolhida através de votação popular, o desenho entregue por concurso a um artista local e a impressão entregue a uma gráfica da freguesia – seria aceite como forma de pagamento nas lojas aderentes. Apesar de ter um câmbio directo com o euro nas compras efectuadas, poderia ser adquirida por 95 cêntimos, conferindo-lhe assim uma atractividade. “As pessoas também poderiam passar a receber o troco das suas compras nesta nova moeda, tal como sucede numa experiência deste género, nos Estados Unidos da América”, sugere Rui Martins.

O dirigente encontra bons exemplos em vários países – com casos concretos estudados na Alemanha e na Grécia -, mas também assume como fonte de inspiração o projecto “Pago com Lixo”, que começou a ser posto em prática, na semana passada, pela Junta de Freguesia de Campolide. Nesse caso, a divisa criada, o “lixo”, permite aos moradores dessa freguesia receberem uma unidade de valor para consumir no comércio local, em troca da entrega de resíduos nos serviços da junta. “É uma excelente ideia. No nosso caso, seria uma solução híbrida, adotando uma prática semelhante à de Campolide, premiando com a moeda um conjunto diverso de comportamentos cívicos, mas também fazendo uso de uma troca directa, com impacto no comércio local”, explica.”

Mais informações: vizinhosdoareeiro.wordpress.com/2016/09/19/proposta-uma-moeda-local-para-o-areeiro

Texto: Samuel Alemão

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